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Ares - 1ª Temporada(2020)

Há 29 dias | Horror, |

de Pieter Kuijpers, Iris Otten e Sander van Meurs com Jade Olieberg, Tobias Kersloot e Lisa Smit


Mais uma vez, a Netflix vem-se mostrar benéfica no que toca a dar visibilidade a séries que, se calhar, nunca iríamos conhecer. Ares, é a primeira série de produção holandesa a ser distribuída pela plataforma de streaming dando que falar nas redes sociais. Desafiei-me a vê-la porque, na verdade, vi um post a dizer que a maioria das pessoas estavam a desistir de a ver por ser muito assustadora.

E, como é de esperar, eu não tenho amor à minha sanidade mental, e fui ver a série.

Ares conta a história de Rosa Steenwijk (Jade Olieberg), aluna do 1º ano de Medicina, que entra numa sociedade secreta bastante antiga, envolvida na História e no crescimento da Holanda. Esta é frequentada predominantemente por pessoas ricas e de renome. E, como seria de se prever, Rosa não se enquadra nesses parâmetros, mas acaba por se destacar e ser um fator essencial para a sociedade. Ela é aconselhada por Jacob (Tobias Kersloot), o seu melhor amigo, a que não se junte a esta sociedade porque esta guarda um segredo bastante profundo. Irreverente, Rosa ignora esse conselho e decide fazer as coisas por si.

A série conta com um início bastante confuso, secante, chato e que por si só, é a receita PERFEITA para qualquer pessoa desistir. Começamos com uma morte tão estranha, depois um salto temporal enorme para a atualidade e um seguimento de cenas um bocado irrealistas. Somos bombardeados por imensos factos, mas que, inicialmente, não se encaixam com nada. Desta forma, pode-se dizer que começamos com uma desorganização total, não conseguindo assim perceber que rumo é que a série vai tomar.

Só a partir do quarto episódio é que as peças começam a juntar-se. Ares começa a ganhar pontos a seu favor no que toca à narrativa, porque apesar de confusa, essa mesma confusão dá-te abertura para umas quantas interpretações sobre o que tudo significa.

O que me deixou intrigada e colada à história foi o recurso à metáfora. Com o desenvolver da narrativa, compreendemos que é um recurso que está bastante presente, dando então possibilidade ao espetador de tecer teorias, interpretações, ganhando assim um toque pessoal para cada um. Ares não se baseia em jumpscares ou em momentos realmente de terror, apostam sim em cenas que mexem com o teu psicológico. Acompanhamos as personagens em situações difíceis, a tomarem decisões mesmo muito complicadas, chegando a ir contra o seu carácter e crenças, assumindo assim a sua decisão até ao fim.

Sempre auxiliada com cores escuras e uma banda sonora bastante dark e sombria (mas que por vezes pode-se tornar estridente e irritante), a série transporta-nos para um mundo muito obscuro. Com cenários que levam a história a outro nível de escuridão, com o auxílio de ambientes antigos, um guarda-roupa bastante apropriado, dando um aspeto de unidade dentro da seita.

Destaco ainda a interpretação de algumas personagens. Para mim, os nomes que sobressaem na série são-me desconhecidos, não conhecendo nenhum trabalho prévio dos atores. No entanto, Jade Olieberg e Lisa Smit têm um lugar de destaque. Jade deu vida à personagem principal, Rosa. Uma rapariga destemida, muito ciente da sua condição social mas sempre disposta a lutar para ter aquilo que quer. Ao longo da temporada conhecemos sempre um pouco mais dessa personagem, e acredito que a delivery da atriz ajudou imenso nesse aspeto.

E Lisa Smit. Lisa trouxe-nos Carmen Zwanenburg que, a meu ver, é uma das melhores personagens da história, se não a melhor. Carmen, filha do presidente da seita é forte, a sua atitude e presença destacam-se em qualquer lado. Com uma postura de completa diva, mas ao mesmo tempo vulnerável dá-nos uma performance muito interessante e que nos deixa a querer saber mais sobre ela.

Ares, uma série de 8 episódios com 30 minutos cada, entretém. No sentido em que nos deixa agarrados quando a história começa, realmente, a desenvolver. Não se pode esperar uma série de topo, porque não é o caso, havendo assim alguns aspetos que precisam de ser melhorados. Mas, apesar das falhas, não deixa de ser uma experiência interessante para quem simpatiza com este género. 


Raquel Lopes
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