American Horror Story assume-se como uma das séries pioneiras do género de terror nesta década.

American Horror Story assume-se como uma das séries pioneiras do género de terror nesta década.

2011
Drama, Horror, Thriller
de Brad Falchuk e Ryan Murphy, com Connie Britton, Dylan McDermott, Evan Peters, Taissa Farmiga e Jessica Lange


Em 2011, Ryan Murphy, o mesmo criador de séries como Glee (2009-2015), Scream Queens (2015-2016) ou Feud (2017), trouxe-nos a primeira temporada de American Horror Story, que mais tarde obteve o subtítulo de Murder House. Esta série foi concebida com o objetivo de levar o género de terror ao pequeno ecrã, numa época em que ainda eram escassas as produções desta temática no mundo da TV.

 

Murder House conta-nos a história da família Harmon, composta por Vivien (Connie Britton – The Mustang 2019), Ben (Dylan McDermott - The Perks of Being a Wallflower – 2012) e Violet (Taissa Farmiga – The Nun – 2018), que adquiriram uma mansão em Los Angeles, com a esperança que esta mudança conseguisse salvar o casamento. Contudo, eventos bizarros sucedem-se e pessoas estranhas começam a rondar a casa, tudo isto acontece principalmente quando Ben começa a exercer a sua profissão de terapeuta, atendendo os seus pacientes, inclusive Tate Langdon (Evan Peters – X-Men – 2014-2019), o sinistro e perigoso filho da sua vizinha Constance Langdon (Jessica Lange – Cape Fear – 1991).

 

Recordo-me com exatidão de na altura da sua estreia nutrir uma obsessão por cada episódio. Tal vício devia-se ao facto de ser provavelmente a única série de terror sobrenatural da época e sobretudo por sentir-me absolutamente intrigado com uma história demasiado diferente do habitual, imprevisível, insana e repleta de mistério, onde nada é realmente o que parece (e a empregada Moira que o diga).

 

Inicialmente, Murder House poderá fazer com que o espetador se sinta perdido diante uma mitologia demasiado invulgar, até mesmo para os fãs deste subgénero. Existe uma enorme dificuldade para identificar quem é humano ou fantasma, tal como se pode considerar ligeiramente complexa a interpretação do background de diversos personagens e a génese daquela mansão assassina. Entretanto, todas as dúvidas são respondidas gradualmente e a nossa persistência é presenteada com reviravoltas estonteantes, inclusive uma que me fez gritar de choque em 2011 e que me conseguiu deixar igualmente surpreendido desta segunda vez que revi a temporada.

 

O enredo até pode ser bom, denso e repleto de múltiplas camadas narrativas, mas é o elenco e a escrita das personagens que fornecem todo o charme à série. Dylan McDermott e Connie Britton entregam dois protagonistas bastante interessantes, mas facilmente esquecíveis se os compararmos a personagens como a Constance, o Tate, a Moira, o Larry ou até mesmo a Violet. Como referi, o interesse por estes personagens não se deve apenas à escrita do Ryan Murphy ou do Brad Falchuk, mas também ao incrível trabalho proveniente dos atores que lhes dão vida.

 

Nesta primeira temporada, American Horror Story assume-se como uma das séries pioneiras do género de terror nesta década. Possui um enredo complexo e uma linguagem diferente que requer algum esforço para ser compreendida. No entanto, o sentimento que valeu a pena é sentido após 12 episódios excecionais, nos quais nos deparámos com múltiplas intrigas e obtemos uma perceção analítica sobre o lado mais humano dos fantasmas que assombram a mansão e aqueles que nela ousam entrar.

 

Apesar de ainda não possuir a identidade artística que marcou as restantes temporadas, Murder House abriu o caminho para um universo magnífico que homenageia os clássicos de terror graças a uma abordagem invulgar, arrojada e sem o menor medo de arriscar em nos entregar algo diferente ou de causar um twist em diversos clichés. Em suma, estabelece-se como uma temporada que inicia com um arranque pouco atrativo, mas que acaba por levar o espetador numa montanha-russa de emoções, violência, reviravoltas e de muito drama.


por Pedro Quintão