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American Beauty(1999)

Há um ano | Drama | 2h2min

de Sam Mendes, com Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari e Peter Gallagher


A reputação de American Beauty é conhecida por todos. A estreia cinematográfica do realizador britânico Sam Mendes arrecadou cinco Oscars das oito nomeações na cerimónia de 2000: Melhor Filme, Melhor Actor Principal (Kevin Spacey), Melhor Realizador (Sam Mendes), Melhor Fotografia (Conrad Hall) e Melhor Argumento Original (Alan Ball). Um sucesso inegável.

American Beauty navega pelos subúrbios americanos, onde Lester Burnham (Kevin Spacey) atravessa uma crise de meia-idade. Lester tem medo de envelhecer, de perder a esperança no amor e de não ser respeitado por aqueles que o rodeiam. Tem uma vida monótona, odeia o seu emprego, é ignorado pela sua mulher Carolyn (Annete Bening), que dedica mais tempo ao jardim do que ao marido, e a sua filha Jane (Thora Birch) despreza-o. American Beauty é a história da sua revolta.

Numa noite em que é arrastado pela mulher para ver a sua filha actuar como cheerleader, Lester encontra um anjo: Angela (Mena Suvari), uma colega e amiga de Jane. A partir deste momento Lester desenvolve uma obsessão por Angela, que faz com que ele queira voltar a sentir-se jovem, a sentir os prazeres da vida e a viver feliz. É errado que um homem de 40 anos se “babe” por uma rapariga adolescente? Claro que sim, toda a gente compreende o quão complicada esta questão é. Além de ser errado legalmente, é errado moralmente.

Both my wife and daughter think I'm this gigantic loser.

American Beauty é um triunfo na realização, no argumento e nas performances. É sem dúvida um filme incrível. O fabuloso elenco e o argumento de Alan Ball, conseguem um nível soberbo de actuações, lideradas por Kevin Spacey – independentemente de toda a controvérsia gerada pelas acusações de assédio sexual, Spacey não deixa de ser um excelente actor e este filme é uma prova disso – e Anette Bening. O filme analisa constantemente as acções das personagens e uma das constantes fontes de surpresa do filme é a forma como as personagens simultaneamente escondem e revelam os seus interesses privados, e o quão constantemente são interpretados e julgados pelos outros.

É uma comédia negra sobre a vida que merece múltiplas visualizações. Apesar de não ser perfeito – por vezes um pouco presunçoso – é um filme inteligente, divertido e uma notável estreia de Sam Mendes. O filme é manuseado com uma confiança magnífica e uma mestria técnica, em parte devido à escolha astuta de Conrad Hall como cinematógrafo. O argumento de Alan Ball é carregado de cinismo, conseguindo criar uma sátira disfuncional de uma comunidade completamente desequilibrada.

Consistentemente provocativo, American Beauty é uma visão vigorosa, engraçada e profunda do que é o “sonho americano” e a sua desconstrução. A farsa que é a felicidade é representada como um estudo excepcional sobre a infelicidade, desespero e uma família claramente disfuncional – como muitas que existem. Uma crítica cómica mas amarga e negra de como as convenções sociais podem levar as pessoas a viverem vidas ocas e emocionalmente atrofiadas.


Sara Ló
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   9
 Rafaela Teixeira:   9
 Rafael Félix:   8
 Pedro Horta:   8
 Filipe Lourenço:   9