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Alita: Battle Angel(2019)

Há um ano | Ação, Aventura, Romance, | 2h2min

de Robert Rodriguez, com Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connelly, Mahershala Ali, Ed Skrein e Keean Johnson


Alita: Battle Angel estreou no nosso país no 14 (Dia dos Namorados) e desde aí, tem sido um sucesso nas bilheteiras. É um projeto que andou 10 anos nas gavetas do grande James Cameron (Terminator 2: Judgment Day – 1991, Titanic – 1997 e Avatar – 2009). Toda a campanha de publicidade tem recaído sobre Cameron – o projeto, o argumento e a produção sendo dele. No entanto, demasiado ocupado com a sua sequela de Avatar, a realização recaiu a outro familiarizado com adaptações de bandas desenhadas, o mexicano Robert Rodriguez, que tem no seu currículo Sin City (2005) e Sin City: A Dame to Kill For (2014).

Aviso já, que não conheço as bandas desenhadas de Alita, nem o seu anime Gunnm (1993) de Yukito Kishiro. Por isso, irei apenas julgar a longa-metragem.

O que nos conta o filme?

2563. Já se passaram cerca de 300 anos desde que o nosso planeta Terra entrou em colapso. A cidade de Iron City está completamente devorada pelo crime. Uma noite, o Dr. Ido (Christoph Waltz) procura peças de reposição para as suas invenções. Todas as peças e o lixo são provenientes de Zalem, uma cidade celestial onde todos sonham em mudar-se para lá. É aí que a vida de Ido muda, após encontrar um corpo de uma cyborg num estado lastimável, mas com a consciência a funcionar. Após repará-la na sua clínica, a jovem cyborg acorda, com amnésia. Descobrimos este universo com Alita, através do Dr. Ido e de Hugo (Keean Johnson), um jovem revendedor de peças de reposição, pela qual Alita se apaixona rapidamente. A corrupção, os crimes e os segredos farão com que Alita descubra a chave do seu passado e de onde lhe surgiu as suas capacidades de combate.

Bem, fãs de ficção científica irão amar o universo que lhes é proposto. Iron City, Zalem (do pouco que vimos) é rico em detalhes e possui um universo particular. As referências são inúmeras: desde o clássico Metropolis (1927), Elysium (2013), Artificial Intelligence (2001), a saga Star Wars (1977-) e os míticos Blade Runner (1982) e Blade Runner 2049 (2017). Pessoalmente, fui fã. O maior ponto positivo do filme é o seu rico universo.

A realização de Robert Rodriguez é espetacular, mas, sejamos honestos, parece um filme realizado por James Cameron (o que não é negativo de todo). Sem ser as cenas de combate, a violência, e os slow motion, o estilo de Rodriguez é irreconhecível. A motion-capture atribui um aspeto realista à obra. Os efeitos visuais são grandiosos – só aí, o bilhete valeu a pena. Passaram cerca de 6 meses na pós-produção, e isso sente-se. É dos filmes mais criativos em efeitos visuais dos últimos anos (juntamente com Ready Player One -2018, de Steven Spielberg).

Rosa Salazar interpreta Alita com sinceridade, e o lado curioso da sua personagem, ajuda-nos a criar uma empatia imediata por ela. Muitos fãs criticaram o aspeto dos seus olhos nos diversos trailers (repito, não conheço o anime), mas posso afirmar que lhe dá um grande realismo, tornando-a única em todo o filme. Christoph Waltz tem o seu carisma habitual e encaixa que nem uma luva na sua personagem. No entanto, falta carisma à personagem de Hugo. Os primeiros pontos negativos ocorrem perante as personagens de Jennifer Connolly e de Mahershala Ali – dois atores tão bons para isto? Sem ser para atrair massas ao filme, ambos, não têm nenhum impacto na narrativa, e as suas performances são bastante medianas.

O argumento também não é o melhor do filme. Demasiados clichés, uma história de amor pouco interessante e MUITA, muita coisa a decorrer ao mesmo tempo. Não lhes tiro mérito por terem dado tudo, mas acabamos por nos perder no meio de tanta informação.

Alita: Battle Angel cumpre o que promete. É um bom entretenimento, repleto de ação, com uma personagem carismática e um verdadeiro universo cinematográfico. Não é perfeito, não é complexo, mas resulta. Se tiverem a oportunidade de vê-lo em 3D – não hesitem, força. Espero que funcione nas bilheteiras, pois, o filme prepara-nos para uma sequela e um antagonista que parece interessante.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Rafaela Teixeira:   7