Aconselho La La Land, ontem, hoje e amanhã. É um grande momento de cinema, que vos dará vontade de alcançar os vossos sonhos.

Aconselho La La Land, ontem, hoje e amanhã. É um grande momento de cinema, que vos dará vontade de alcançar os vossos sonhos.

2017
Musical, Comédia, Drama | 2h8min
de Damien Chazelle, com Emma Stone, Ryan Gosling, J.K. Simmons, John Legend e Rosemarie DeWitt


Após o excelente Whiplash (2014), vencedor de três Oscars, dos quais: Melhor Ator Secundário para J.k. Simmons (das melhores performances que vi nos últimos anos), Melhor Montagem e Melhor Mixagem Sonora, a nova pérola de Hollywood, Damien Chazelle, com apenas os seus 32 anos, está a marcar presença no cinema moderno. É com La La Land que acaba por explodir.

Chazelle confessou que o argumento de La La Land tinha sido escrito enquanto estudava em Harvard, e que nenhum produtor o queria financiar, devido às questões de rentabilidade – as comédias musicais já não tinham grande sucesso nas bilheteiras da indústria. Chazelle, com convicção que o seu projeto tinha potencial, decide escrever Whiplash “à pressa”, não contendo um budget muito elevado e na esperança do filme ser bem recebido. Foi um bingo! A longa-metragem foi extremamente bem recebida, e ainda foi nomeada para cinco Oscars – do qual Melhor Filme incluído. O Jazz, a música e a comédia musical teve o seu sucesso. O jovem realizador, finalmente conseguiu o que queria: financiar o seu projeto mais importante, La La Land.

Para os protagonistas, Chazelle queria o ator do seu precedente filme – Miles Teller e a Emma Watson (Harry Potter). Nada foi feito, por divergências artísticas, e incompreensões com os agentes. Após reflexão, o realizador decidiu abordar a sua longa-metragem com um elenco mais experiente. Os protagonismos couberam à dupla: Ryan Gosling e Emma Stone. Ambos já tinham trabalhado juntos, o que facilitou a química entre os dois durante as filmagens.

As principais inspirações para a conceção de La La Land, foram as comédias musicais francesas de Jacques Demy, como: Les Parapluies de Cherbourg (1964) e Les Demoiselles de Rochefort (1967). Para a sua fotografia, foram os clássicos: Broadway Melody of 1940 (1940) de Norman Tarog e Singin’ in the Rain (1952) de Stanley Donen e Gene Kelly.

O que nos conta o filme?

Mia (Emma Stone) trabalha num café em Los Angeles, onde imensas estrelas de cinema passam por lá. Isso mexe bastante com o psicológico de Mia, pois, deseja ser atriz e infelizmente nunca foi aceite em nenhum das centenas de castings que já passou. Ninguém vê talento nela. Sebastian (Ryan Gosling) trabalha como pianista num restaurante chique, também em LA. Toca piano para entreter os clientes, enquanto jantam. O patrão não lhe deixar tocar aquilo que mais gosta, o jazz. Só pode tocar “músicas rascas”, como os parabéns, etc. Os dois conhecem-se, e com a ajuda um do outro, lançam-se nos seus sonhos.

Será que Damien Chazelle conseguiu surpreender novamente Hollywood?

A minha resposta é simples. Na cerimónia dos Golden Globes, foi nomeada em sete categorias e levou todas as recompensas – um primeiro recorde para o filme. A minha segunda resposta também não é menos óbvia: igualou Titanic (1997) e All About Eye (1950) com catorze nomeações para os Oscars. Repito, catorze.

Não sou apreciador de comédias musicais (nada mesmo), e adorei o filme. É um grande momento de cinema. Eu diria até que é um filme tecnicamente perfeito. Começo pela abertura. Inicia-se com um incrível plano-sequência de 5 min! A produção fez parar a autoestrada em Los Angeles durante dois dias, para o plano ser concebido. Imaginem a pressão! Sem contar que foi filmado em película, e que tudo tinha de ser bem feito o mais rapidamente possível – pois, filmar em película no mundo do cinema é extremamente caro.

O elenco está incrível. A química entre os dois protagonistas funciona. Acreditamos na relação deles. Tenho uma ligeira preferência pela Emma Stone, pois, a sua personagem tem o maior arco narrativo e é mais interessante – não tirando nenhum mérito ao Ryan.

Como já referi, tecnicamente é espetacular. A fotografia é linda, todos os planos são maravilhosos. Menção ao diretor de fotografia que superou qualquer expetativa. Os movimentos de câmara são malucos, as panorâmicas (movimento lateral da esquerda para a direita da câmara) vão a duzentos à hora, ainda giram em 360º e mergulham numa piscina! Todas as cores estão pensadas a fim de corresponderem a cada estação do ano diferente. O guarda-roupa adapta-se aos estados de espírito das personagens. A banda sonora de Justin Hurwitz é viciante. Sinceramente, quem é que não gosta da melodia: "City of Stars"? A montagem é brilhante. Chazelle passou cerca de um ano perto do seu editor Tom Cross, para ficar tudo como imaginava. A realização é puro cinema. Cada plano é sistematicamente ultra-pensado. Não gosto de usar esta palavra, mas sim, há perfeição na realização.

Em relação à Cerimónia dos Oscars na noite de domingo, é claramente o meu grande favorito. Tenho a certeza que Damien Chazelle irá levar a estatueta de Melhor Realizador. Aposto na Melhor Atriz para a Emma Stone, na Melhor Banda Sonora, na Melhor Canção Original para "City of Stars", Melhor Fotografia e Melhor Edição de som. Quanto a Melhor Filme, La La Land também é a minha aposta. Veremos se me engano.

Aconselho La La Land, ontem, hoje e amanhã. É um filme a não perder nesta época melancólica do amor. É um grande momento de cinema, que vos dará vontade de alcançar os vossos sonhos.


por Alexandre Costa