Acho que cada plano do filme é sistematicamente ultra-pensado. Nota-se detalhes e perfeição...há perfeição.

Acho que cada plano do filme é sistematicamente ultra-pensado. Nota-se detalhes e perfeição...há perfeição.

2017
Musical, Comédia, Drama | 2h8min
de Damien Chazelle, com Emma Stone, Rylan Gosling, J.K. Simmons, John Legend e Rosemarie DeWitt


Segundo filme da nova pérola de Hollywood Damien Chazelle, com apenas 32 anos, este realizador promissor está a marcar em grande o cinema moderno.

Para quem não sabe, Damien Chazelle realizou o seu primeiro filme em 2014: Whiplash, vencedor de três Óscares em 2015, dos quais: Melhor Ator Secundário para J.K. Simmons, (foi das melhores performances de cinema que vi nos últimos anos). É um grande momento de cinema, que opõe os dois protagonistas numa luta intensa psicológica, tudo acompanhado em ritmos de jazz. 


Damien Chazelle estudou cinema em Harvard e tinha duas paixões desde miúdo: o cinema e o jazz, especialmente a bateria. Reflete-se em Whiplash, Chazelle ensinou formas de tocar bateria e truques ao seu ator Miles Teller e no tema do filme, uma banda de jazz, este dá muita importância na filmagem dos instrumentos musicais e na performance de quem toca. O filme foi realmente muito bem recebido, foi um grande sucesso e todos os grandes críticos estavam prestes a seguir a carreira de Damien Chazelle.

Contudo, voltando ao seu novo filme La La Land, Damien Chazelle admitiu que esta longa tinha sido escrita na Universidade onde estudava com um amigo, e era para ser o seu primeiro projeto em Hollywood, mas infelizmente nenhum grande produtor queria financiar o La La Land por questões de Marketing, que não era rentável, que comédias musicais já não se faziam, etc. Então Chazelle, escreve Whiplash «à pressa» não tendo muitos custos financeiros com a esperança do filme ser bem recebido e que lhe pudessem abrir as portas para o seu La La Land e o seu género de comédia musical sobretudo composto de Jazz.

Com 29 anos, Damien Chazelle atingiu os seus objetos, aliás, superou qualquer sonho com os seus três Óscares para uma segunda longa-metragem. Finalmente, La La Land, o seu produto de “infância”, estava prestes a ter início.

Para este filme Damien Chazelle queria duas personagens jovens, então teve a ideia de voltar a trabalhar com o seu ator de Whiplash, Miles Teller, e com Emma Watson (Harry Potter). Mas ambos não puderam participar no seu projeto, razões financeiras, incompreensões com agentes, etc.

Chazelle refletiu e mudou aspectos da sua história querendo ter dois protagonistas mais velhos, com mais experiências de vida, onde o público possa identificar-se com as personagens. Emma Stone e Ryan Golsing ficaram com os papéis, ambos já tinham trabalhado juntos, o que facilitou bastante as relações destes durante as filmagens.

Chazelle continuou no mesmo ritmo que Whiplash sendo o jazz a principal fonte de música, dando uma direção de atores incrível a Emma Stone que tem, para mim, dos melhores papéis da sua carreira, senão o melhor. E conseguiu na minha opinião tornar Ryan Golsing engraçado e dar-lhe emoção, pois este andava sempre num registo semelhante.

Para La La Land, Chazelle baseou-se no cinema que sempre gostou, as comédias musicais francesas, de Jacques Demy, como Les Parapluies de Cherbourg (1964) e Les Demoiselles de Rochefort (1967) especialmente para a sua fotografia. Também se baseou em Broadway Melody of 1940 (1940), de Norman Tarog e Singin’ in the Rain (1952), geralmente o mais conhecido neste género, de Stanley Donen e Gene Kelly.

Damien Chazelle conseguiu surpreender novamente o público e Hollywood?

A minha primeira resposta é simples, na cerimónia dos Golden Globes, foi nomeado para sete categorias e foi recompensado por todas as categorias, sete, primeiro recorde para o filme.

A minha segunda resposta também não é complicada, igualou Titanic (1997) e All About Eve (1950), com catorze nomeações, novo recorde mais uma vez.

Agora a minha resposta enquanto espectador é sim, sem nenhuma dúvida, La La Land é um grande momento de cinema. Eu sinceramente não sou fã de comédias musicais, mas consegui entrar no filme até ao final. No meu primeiro visionamento assustei-me um pouco com o início do filme pensado que não ia conseguir aderir à coisa, mas depois passou, e ao longo dos minutos entrei completamente na história.



De abertura temos um plano-sequência incrível de 4 ou 5 minutos em película – já volto a tocar no assunto da película –! É de uma dificuldade extrema, porque se houver algo que falhar tem de ser repetido tudo desde o início. Chazelle fez parar a autoestrada em Los Angeles dois dias para poder filmar este plano. O plano teve tanto sucesso que os Golden Globes, apresentados por Jimmy Fallon, recriaram o plano para a sua abertura com a ajuda de Mandy Moore, coreografa do filme. Visto que Chazelle não sabia da ideia, ficou espantado e sorriu com orgulho.

Não quero falar muito sobre o filme pois contar a história deste era crime. Só tenho a dizer que vocês têm de ir a correr vê-lo, acima de tudo se forem apaixonados por cinema como eu sou, pois a trama principal do filme é não desistir dos seus sonhos, e mais concretamente a Mia (Emma Stone) tem o sonho de ser atriz em Hollywood, e Sebastian (Ryan Golsing) tem o sonho de abrir o seu clube de jazz, também em Hollywood.

Mia trabalha num café em Los Angeles, onde entram imensas estrelas de cinema, que mexem bastante com ela, pois Mia quer ser atriz, mas infelizmente nunca é aceite em todos os castings que passa. Ninguém vê talento nela.

Sebastian trabalha num restaurante chique, também em Los Angeles, toca piano para entreter os clientes enquanto jantam. Infelizmente este tem paixão pelo jazz, mas o patrão não lhe deixa tocar jazz, apenas toca «no seu ponto de vista músicas rascas» como os parabéns, etc.

Estes dois protagonistas vão encontrar-se e lançar-se nos seus sonhos.  Nem tudo vai correr como previsto, há momentos de boa comédia, de emoção, o filme no meu ponto de vista consegue mexer com o público e fazer refletir sobre a vida no seu final.  Não vou revelar mais sobre o filme, apenas digo: Vejam La La Land!

Os atores estão incríveis, tenho uma ligeira preferência pela Emma Stone, acho que a personagem dela é a mais interessante, não tirando mérito nenhum ao Ryan. A fotografia é espetacular, a música é incrível, a que mais me marcou na longa foi “City Of Stars” , o filme é engraçado por ser um pouco fora do vulgar, uma comédia musical moderna, nas ruas de Los Angeles, que sonho. A montagem igual, Damien Chazelle passou praticamente um ano ao pé do seu editor Tom Cross para poder ficar mesmo como imaginava o filme, e a realização mais ainda!

Vou focar-me mais atentamente nesta, pois é a parte que gosto mais, a realização de Damien Chazelle, vou só relembrar que o realizador fez 32 anos há umas semanas, e já tem tudo para ser um grande sem exagerar.

Primeiro que tudo o filme é filmado em película, para quem não sabe a película são rolos maiores permitindo filmagens mais longas, ou seja, mais caras, sem poder haver tantos cortes, uma real carga de trabalhos, mas é considerada por muitos “puro cinema”. Concordo, não tirando nada ao digital, mas película é película.

 

Depois, eu acho que cada plano do filme é sistematicamente ultra-pensado. Nota-se detalhes, não gosto de usar esta palavra mas, sim, perfeição...há perfeição em alguns planos de La La Land, indo das cores dos vestidos, que variam de estação para estação do ano, que variam segundo os estados de espíritos da personagem de Mia e de Ryan.  Que trabalho de cores! Por exemplo, num jantar, Ryan Golsing está vestido de preto, nota-se logo que há algo que não vai correr bem.

Menção ao diretor de fotografia que superou qualquer expetativa, há planos fenomenais, movimentos de câmara malucos! Panorâmicas (é apenas quando a câmara faz o movimento lateral, ou para o lado esquerdo ou para o lado direito) a duzentos à hora! Não têm noção da velocidade desses movimentos no filme, enquanto os instrumentos tocam, etc.

Tecnicamente o filme não tem falhas, a câmara cai dentro de água, depois continua a filmar sem cortes, em 360 graus, o cameraman não descansa um segundo, a realização desde filme é simplesmente maluca!

Quanto à cerimónia dos Óscares na noite de domingo para segunda, La La Land é claramente o grande favorito da noite.

Para mim Damien Chazelle vai ganhar o Óscar de Melhor Realizador. Quanto a Melhor Filme, também vou apostar no La La Land, não dizendo que é o melhor nem o meu preferido. Também vou apostar na melhor atriz para a Emma Stone,  na Melhor Banda Sonora, na Melhor Canção Original para “City Of Stars”, na  Melhor Fotografia e na Melhor Edição de Som. São estas as categorias nas quais tenho mais concretamente ideia que irão ganhar, veremos se me engano.

La La Land é um filme para ver, sem dúvida, descontraídos e acompanhados. É um imenso momento de cinema, que vos fará pensar e acreditar nos vossos objetivos.


por Alexandre Costa