A união entre os dois protagonistas faz sentido e é algo que espectador gosta de ver.

A união entre os dois protagonistas faz sentido e é algo que espectador gosta de ver.

1998
Ação, Crime, Drama | 1h51min
de Harold Becker, com Bruce Willis, Alec Baldwin, Miko Hughes, Chi McBride e Kim Dickens


Mercury Rising, repete a fórmula já conhecida do realizador Harold Becker, em filmes como Malice (1993) e Domestic Disturbance (2001) - sendo a ação e o crime os dois géneros que mais se destacam.

Art Jeffries (Bruce Willis) trabalha para o FBI, de onde é afastado da sua função principal de agente infiltrado. Nesse período, conhece Simon Lynch (Miko Hughes), um rapaz autista que descobre um código ultra-secreto do governo: Mercury, numa revista de desafios mentais. Por esse motivo começa a ser perseguido e acaba por ficar órfão. Art tem por missão proteger a criança e desvendar quem são os seus perseguidores.

Willis e Hughes cumprem os seus papéis de modo credível. O último, para entender como representar uma criança autista, conviveu e aprendeu a lidar com crianças autistas e ainda trabalhou com um psicólogo infantil em Chicago. Parece que tudo isto deu resultado, tendo-lhe valido o prémio Young Artist - Best Performance in a Feature Film - Leading Young Actor em 1999. As personagens secundárias, pelo contrário, são construídas de modo demasiadamente superficial, mas ainda assim, conseguem cumprir com a narrativa do filme.

O argumento conquista não pelo mistério, porque rapidamente sabemos o que se passa -primeiro até que Art -, mas sim pela relação que se desenvolve entre a criança e o agente do FBI. Ao primeiro ligamo-nos por empatia, além de ser um rapaz autista, vemos o momento em que se torna órfão. Quanto a Art, o sentimento é o mesmo, não só porque vemos a sua revolta com a profissão que, muitas vezes, opõe a moral e ética ao profissionalismo, mas porque percebemos que é um homem solitário e traumatizado. A união entre os dois protagonistas faz sentido e é algo que espectador gosta de ver. Ainda assim, a história tem várias falhas. Resulta porque foi planeada e forçada a funcionar. Falta-lhe realismo. A duração do filme também é um problema, o ritmo é lento e a resolução é previsível. Não existe um plot twist que refresque à atenção do espectador e o surpreenda.

A fotografia do filme é satisfatória e tem efeitos visuais decentes considerando o ano em que foi realizado. A banda sonora funciona aumentando a tensão nos momentos certos. No entanto, a edição está mediana e alguns cortes são abruptos. Podiam ter sido suavizados com cenas menos óbvias.

Não é um filme que dê muito trabalho a pensar. A premissa é simples, o desenvolvimento é lento, previsível e a resolução é consistente. Porém, vale a pena ser assistido pelos fãs de ação. Afinal o protagonista é o Bruce Willis! 


por Rafaela Teixeira