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Mile 22(2018)

Há um ano | Ação, Crime, | 1h35min

de Peter Berg, com Mark Wahlberg, Lauren Cohan, Iko Uwais, John Malkovich e Ronda Rousey


O género de ação está tremendamente cansado no cinema. É um dos géneros mais utilizados na grande tela em que, normalmente, vemos cidades inteiras a ir pelos ares por uma questão de entretenimento. Muitos filmes deste género acabam por se apoiar mais facilmente no production value e acabam por menosprezar uma boa narrativa.

Peter Berg, realizador por de trás de filmes como Hancock (2008), Battleship (2012) ou Deepwater Horizon (2016) – este último também com Wahlberg –, agarra na história de Graham Roland e Lea Carpenter e apresenta o seu novo trabalho: Mile 22.

O filme conta-nos a história de uma equipa tática ultra-secreta liderada por James Silva (Mark Wahlberg) e completada por Alice (Lauren Cohan), Sam (Ronda Rousey) e William (Carlo Alban). Numa missão a uma casa segura do antigo KGB, a equipa elimina todos os que lá se encontravam, incluindo um jovem de 18 anos, por ordem de Bishop (John Malkovich). Esta decisão originará graves problemas na equipa, 16 meses depois, numa outra missão.

Com um elenco um tanto-ou-quanto importante, seria de esperar que ainda que Mile 22 seja um filme de ação para entreter quem quer passar 90 minutos a ver explosões e tiroteios, nos fosse oferecido algo, no mínimo, mais saboroso ou divertido. Mark Wahlberg interpreta uma personagem mentalmente disfuncional que lidera uma equipa ultra-secreta, numa profissão que não garante segurança. Todo o sentido aqui presente. A juntar a isso, James, desde pequeno, que usa uma bracelete de borracha para a esticar e deixar que todo o impacto embata no seu pulso de maneira a controlar a sua disfuncionalidade.

À exceção de James e Alice, todas as restantes personagens não têm qualquer background e estão presentes para ocupar espaço. Mark Wahlberg não faz um mau trabalho a interpretar um disfuncional que se desfaz em monólogos e a atriz da série The Walking Dead (2010-) interpreta uma mãe que vive separada da sua filha e é assombrada pelo facto do ex-marido ter já outra mulher. No caso da personagem de Lauren Cohan, continuo a tentar perceber qual o impacto narrativo que o seu background teve.

A realização de Berg é extremamente confusa em determinados momentos, com planos que não permitem respirar, mesmo que estejamos em diálogos de café. A juntar a isso, a edição que o filme entrega é muitas vezes inapropriada porque nos dá cerca de meio segundo de um plano antes de cortar para outro, constantemente. Nas cenas de ação, resulta, no restante filme a experiência é mais digna de trazer o saco para qualquer eventualidade.

A história é pouco ou nada apelativa, o elenco entrega o que pode, a realização é desastrosa e após o final do filme, ficamos com a sensação de dúvida sobre muitos momentos presentes na obra. Para quem gosta deste tipo de filmes, não digo para não verem, mas se a vontade é passar um serão de bom cinema, o melhor é passar Mile 22 à frente.


Pedro Horta
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