A profundidade temática está a par com o brilhante aspeto visual.

A profundidade temática está a par com o brilhante aspeto visual.

2017
Fantasia, Aventura, Musical | 2h9min
de Bill Condon, com Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Josh Gad, Kevin Kline e Hattie Morahan


Já sem grande memória do clássico de 1991 aventurei-me por esta reencarnação do conto Beauty and the Beast, e fiquei deveras surpreendido. Projetar no grande ecrã os seus filmes de animação, como por exemplo Cinderella (2015) e The Jungle Book (2016), mas desta vez filmados em ação real, é a mais recente aposta da Disney e tem sido criticamente e financeiramente um triunfo. Esta obra segue a mesma tendência.

 

Maravilhas há a dizer sobre este filme. A história sobre um príncipe amaldiçoado (Dan Stevens) e uma jovem (Emma Watson) que se deixa enamorar. É, na sua essência, um verdadeiro conto de fadas. Assume características de um musical rico em narrativa e personagens únicas, apresenta uma produção luxuosa e envolvente, que me conquistou nos primeiros minutos, e continuou a vislumbrar. Reparo apenas que os cenários em segundo plano pareceram demasiado artificiais em certas cenas.


O romance sucede com a troca de experiências entre as personagens e não apenas porque é necessário que aconteça para avançar o argumento, as atuações foram charmosas e compreendiam em si uma qualidade muito Disney. O diretor Bill Condon orientou bem os atores para performances mais surrealistas, evitando cair no exagero, para não desconectar a audiência das personagens e dos imensos comentários sociais que subtilmente iam sendo feitos.


A profundidade temática está a par com o brilhante aspeto visual. Não só compreende uma história clássica, com números musicais soberbos (uns mais que outros, é certo), como também invoca mensagens extremamente contemporâneas. Aceita, sem remorsos, personagens homossexuais, encara as figuras paternas como pessoas quentes e próximas dos filhos, promove a tolerância e a ilusão das primeiras impressões. Tudo isto em apenas pouco mais de 2 horas. 

 

Beauty and the Beast é um filme muito envolvente e relacionável, conseguindo trespassar plenamente a magia desta história tão velha quanto o tempo. É uma conquista de grupo, desde a animação dos objetos ao monstro, passando pelo guarda-roupa e caracterização das cenas. A dinâmica da produção foi essencial para conceber este belo mundo de fantasia que é uma autêntica terapia para a alma.


por Bernardo Freire