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13 Reasons Why - 1ª Temporada(2017)

Há 2 anos | Drama, Mistério, |

de Brian Yorkey, com Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Brandon Flynn e Milles Heize


Esta crítica poderia ser justificada apenas pelo facto de ser uma série da Netflix. Acho que, só por esse motivo, já era sinónimo de algo grande. A Netflix ultimamente tem estado forte nas apostas que nos traz e 13 Reasons Why não fica atrás.

Portanto, desfruta… Não mudes o dispositivo que estás a usar para ler isto porque……. Bem, quase que pareço a Hannah Baker, desculpem.

13 Reasons Why é uma série desenvolvida pelo Brian Yorkey, adaptada do livro "Thirteen Reasons Why" da autoria de Jay Asher e conta-nos a história de uma adolescente que grava 13 cassetes com as razões pelas quais se decidiu suicidar. Parece bastante obscuro, certo? E é.

Durantes os 13 episódios, Clay Jensen – interpretado por Dylan Minnette – vai ouvindo as cassetes que Hannah Baker (Katherine Langford) – a tal adolescente – deixou para tentar perceber o porquê da mesma ter optado por tirar a sua própria vida. Em cada episódio, é apontado o dedo a uma personagem diferente que acaba por estar envolta em toda a restante trama.

Não vos quero dar spoiler, de maneira alguma, porque a série merece ser vista mas vou, no entanto, tentar convencer-vos a vê-la (se é que ainda não o fizeram).

13 Reasons Why não tem quaisquer pudores. Aponta, sem medos, o dedo a toda a sociedade e, em particular, à sociedade adolescente. Todos os problemas diários que estão presentes nas vidas de estudantes de secundárias e, quiçá, de outros, são postos à nossa frente da maneira mais crua e real possível. Não nos é possível fugir e somos obrigados a encará-los. A série proporciona-nos isso mesmo.

A narrativa é algo alucinante e vai ficando cada vez mais pesada e difícil de ‘engolir’. No entanto, sempre que alguém é acusado – e não me refiro apenas às pessoas presentes nas cassetes de Hannah – são nos apresentados argumentos bastante válidos para que não seja tão fácil para a audiência crucificar as personagens pelos seus atos. Naturalmente, essa habilidade de apresentar argumentos válidos vai desaparecendo com o decorrer da série e começa a sobressair-se a verdadeira imagem humana. A imagem nua, crua e cruel do que um ser humano pode ser. Do que pode fazer e estar sujeito a, só para que não seja necessário arcar com as consequências. É incrível a frieza do ser humano quando se trata de não ser responsabilizado.

Em certos momentos da série, já não sabemos quem apoiar ou quem odiar. Todas as personagens – como vos disse antes – têm pontos válidos. Bem, pelo menos até deixarem de os ter. Mas isso é durante toda a série. Num grupo, conseguem existir personagens a ter um diálogo em que num momento estamos do lado delas e no momento seguinte estamos contra elas. E aí, tenho de dar os meus parabéns.

A série sabe dar espaço a cada personagem e construir os seus arcos muito bem. Sobretudo no Justin (Brandon Flynn) e no Clay.

Sou obrigado a falar numa cena do último episódio e, embora não considere um spoiler, lê apenas o seguinte parágrafo se te sentires confortável para tal:

POSSÍVEL SPOILER | A pouco mais de metade do último episódio é-nos dada a cena em que Hannah Baker decide tirar a sua própria vida. É uma cena que nos é descrita várias vezes durante a série, mas sinceramente, nunca achei que nos fosse dado a ver. Ou se fosse, que não fosse tão explícito. O momento em que Hannah decide cortar os seus pulsos está bastante realista e com poucos cortes de câmara. É realmente duro e pode ser difícil de ver, para quem seja mais sensível. É uma cena que marca sem dúvida a série. Muito bom. | POSSÍVEL SPOILER

A nível técnico, há algumas coisas a dizer da série.

É realmente incrível a maneira de como passamos do passado para o presente num mero plano sequência (que para quem é mais expert na matéria, sabe que não é realmente um plano sequência). A câmara gira e, de repente, estamos várias semanas atrás ou à frente do que estávamos há poucos segundos. Chegamos a ver, várias vezes, Clay a observar-se a si mesmo no passado, quase que se tocando um no outro.

Gostei especialmente de dois pormenores da série que ajudam ao espetador a saber em que espaço temporal se está. Primeiramente, e o mais óbvio, a mudança de cor da imagem. Tudo o que é passado tem uma cor mais alaranjada – embora vá perdendo tonalidades com o decorrer da série – e tudo o que é presente tem uns tons mais azulados e frios. Depois, claro, a cicatriz de Clay. Penso que a decisão de o colocar com a cicatriz foi, claramente, para facilitar o espetador a se situar, sobretudo nos planos em que temos o Clay do passado e o Clay do presente ao mesmo tempo.

Outro elogio que faço é ao facto de todas as cenas estarem muito bem pensadas na pré-produção de maneira a colá-las na edição para termos uma continuidade de ato.

E, por falar em continuidade, é aqui o grande, mas grande, defeito da série. É absurdo a quantidade de vezes que o plano corta e os atores não estão minimamente nas mesmas posições em que estavam no plano anterior. Não existe uma colagem correta e isso é mau, muito mau. Sobretudo porque há uma pessoa nos sets de filmagens cuja função é garantir que isso não acontece – e não, não é o Realizador. No episódio 11, em particular, existe uma sequência com o Tony (Christian Navarro) em que o mesmo consegue ter um copo de água na mão direita, mão esquerda e não ter copo algum na mão no espaço de um ou dois segundos. Mas bem, adiante…

Obviamente que a série não é perfeita, mas merece completamente a alta cotação que tem. É uma série bastante boa e que vicia facilmente para quase qualquer um. Recomendo altamente que assistam.

Em relação a uma segunda temporada, ainda não há confirmações mas o final é claramente a pedir que os fãs façam força para a sequela. Quanto a mim, e na possibilidade de existir uma segunda temporada, acho que a série vai mudar, e muito, de tema e tem tudo para continuar a ser uma série de topo.


Pedro Horta
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