A mensagem é clara e fundamental: não confies em estranhos. É um filme com cenas surpreendentes e boas atuações.

A mensagem é clara e fundamental: não confies em estranhos. É um filme com cenas surpreendentes e boas atuações.

2019
Drama, Mistério, Thriller
de Neil Jordan, com Isabelle Huppert, Chloë Grace Moretz, Maika Monroe e Jane Perry


Greta, o recente filme de Neil Jordan, mostra como é periogoso confiar em estranhos. Deves dar-lhe uma oportunidade e aproveita que ainda está nas salas de cinema.

Frances (Chloë Grace Moretz) é natural de Boston, mas vive em Nova Iorque com uma amiga (Maika Monroe) após a morte da mãe. O relacionamento com o pai é distante e ela é independente - trabalha servindo à mesa num restaurante. A sua rotina é sempre a mesma, apanha o metro para ir para o serviço e novamente para voltar para o apartamento. Numa dessas viagens vê uma mala esquecida e decide ficar com ela para a entregar à proprietária. Conhecemos, então Greta (Isabelle Huppert), uma viúva solitária que esconde mais do que parece.

Frances descobre um outro lado da sua nova amiga, quando vê na casa dela um armário cheio de malas iguais à que encontrou no metro, e utilizadas para o mesmo efeito – atrair boas almas para sua casa para não se sentir tão só. Sabendo tudo sobre Frances, será que vai ser fácil para Greta desapegar-se dela?

O argumento apresenta-nos uma premissa curiosa e bastante credível já que os stalkes na era digital em que nos encontramos são cada vez mais uma realidade. A história alerta para essa questão e, sobretudo para os perigos. Afinal, os piores monstros podem ser os humanos e eu gosto quando não há medo em explorar esse lado na ficcção. Além disso, também é feita uma crítica às autoridades que nestes casos não dão soluções e desvalorizam a sua importância.

O elenco está bastante bem. Quem me conhece sabe que não perco um filme que tenha a Chloë Grace Moretz – é uma atriz cheia de talento e que ainda tem muito para mostrar, além disso é bastante versátil. Contudo, a verdadeira estrela neste caso é a Isabelle Huppert que passa de um humor para outro num estalar de dedos. Que representação maravilhosa! Já para não falar dos tiques, da estranheza e do olhar psicopata que entrega. Fiquei logo curiosa em descobrir mais filmes com a sua participação.

O ritmo não é o melhor, tentando sempre ter um mistério aqui e ali que não o ajuda, tornando- o confuso. Por outras palavras, desenvolve subenredos que não têm grande interesse para a narrativa principal, mas quando surgem parece que têm. Mastigar uma pastilha com ideias desconectadas e cuspi-la para um papel não dá bom resultado – se vires o filme entendes a referência que acabei de fazer.

Alguns pontos lógicos falham e a personagem de Frances tem, por vezes, decisões estúpidas que causam frustração – imaginamo-nos na sua posição e não agiríamos daquela forma de todo. No entanto, fiquei bastante agradada por ver que o realizador procurou brincar com o espectador no terceiro ato recorrendo a plot twists surpreendentes.

Apesar dos problemas de ritmo e de ligação, o filme entrega o que promete e não desilude. Muito pelo contrário, Greta é um filme diferente com cenas surpreendentes e boas atuações que te prendem até ao fim. A mensagem é clara e fundamental: não confies em estranhos. E claro, não devolvas malas que encontres no metro na casa da pessoa. Não sabemos quantas Gretas andam por aí.


por Rafaela Teixeira