A história é boa e agarra o espetador neste thriller sufocante e a imagem está ótima.

A história é boa e agarra o espetador neste thriller sufocante e a imagem está ótima.

2015
Sci-Fi, Drama, Aventura | 2h24min
de Ridley Scott, com Matt Damon, Jessica Chastain,Jeff Daniels, Sean Bean e Chiwetel Ejiofor


Muito provavelmente, já vos terei dito o quão fã sou do género Ficção Científica. E, hoje, volto a dizê-lo. Cada vez que vejo um filme do género fico maravilhado, sobretudo quando é um filme que aborda a astronomia e o todo (misterioso) Universo.

E é precisamente aí que encaixa este filme. The Martian, de Ridley Scott, é um filme que nos mostra a capacidade de sobrevivência de Mark Watney (interpretado por Matt Damon) em Marte, sozinho, depois de uma tempestade o ter separado de toda a sua tripulação no regresso ao Planeta Terra.

Ridley Scott já nos premiou com diversos e belíssimos filmes do género como Alien, Blade Runner ou Prometheus… E The Martian entra na lista. A história é boa e agarra o espetador neste thriller sufocante e a imagem está ótima – quase ao ponto de nos esquecermos que estamos a seguir um astronauta perdido em Marte, de tão bem composta que está.

Gostei bastante do toque cómico introduzido no filme. Desde o protagonista a Rich Purnell (interpretado por Donald Glover), a comédia ajuda a desanuviar a tensão envolvente e, neste caso, a destacar o filme pela positiva. Precisamente porque não é um filme de comédia, não poderia fazer o espetador rir; mas liberta a tensão de quem vê, libertando um leve sorriso, e dá esperança numa missão bem-sucedida.



O filme, no entanto, não é perfeito. Fiquei desiludido por ficarmos longos minutos sem ver a tripulação de Watney que regressava a casa. Acho que o espetador fica sem saber a imediata reação ao acontecimento e isso prejudica. Só estabelecemos contacto novamente com as personagens 4 meses depois da separação e, para piorar, numa cena em que é dito à tripulação que o seu colega está vivo e de boa saúde. Portanto, apesar de vermos os remorsos e tristeza tornarem-se em alegria e alívio, ficamos com a sensação de que foi quase um “osso de ofício” a decisão que os colegas de Mark Watney tiveram de tomar.

Outro aspeto negativo que destaco no filme é a falta de ação. E quando falo em ação, não me refiro a explosões ou algo do género, mas sim a adversidades que ocorram ao protagonista. Tudo bem que estar sozinho num planeta, obrigado a sobreviver durante um ano e meio já é adversidade que chegue, mas o facto de Watney conseguir arranjar uma solução para tudo só pelo facto de ser botânico, parece quase um cliché. A única coisa que falta ao protagonista é comida e, por mero acaso, o próprio é botânico e consegue fertilizar Marte.

A banda sonora – e aqui não passa de uma opinião inteiramente pessoal – não me agradou. Apesar do filme ter sido nomeado para vários prémios – entre eles para Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia –, a mim não me agradou a escolha musical. Ou talvez, a junção das cenas com algumas músicas. O filme tem todo uma trilha sonora em torno do género disco e em alguns momentos, a música distrai o espetador da intensidade da cena.

Independentemente destes pormenores, acho que o filme ganha em tudo o resto. Um elenco de luxo que teve impecável. De salientar não só Matt Damon mas também Jessica Chastain – que interpretou a Comandante Melissa Lewis. Estes dois atores já trabalharam juntos num outro filme do género: Interstellar, de Christopher Nolan. A primeira crítica do projeto, curiosamente.

Por fim, recomendo o The Martian a quem ainda não teve a oportunidade de o ver porque é, sem dúvida, um must-see.


por Pedro Horta