A escolha em tornar este filme um falso documentário assenta na perfeição, até considerando o baixo orçamento do filme.

A escolha em tornar este filme um falso documentário assenta na perfeição, até considerando o baixo orçamento do filme.

2014
Comédia, Terror | 1h26min
de Taika Waititi e Jemaine Clement, com Taika Waititi, Jemaine Clement, Rhys Darby e Jonathan Brugh


What We Do In The Shadows, ou, em português, O que fazemos nas Sombras, é uma longa-metragem dos neozelandeses Jemaine Clement e Taika Waititi, ambos acabam por ser atores principais, interpretando, respetivamente, Vladislav e Viago.

Esta longa-metragem estreou em 2014 e, sinceramente, cerca de 2 anos após o lançamento, eu nunca tinha ouvido falar dela – e não é por falta de qualidade. A Wikipédia descreve-a como um filme de comédia e terror. Tirando uma cena no início, em que, na verdade, só assustou 2 colegas britânicas minhas, não considero o filme assustador. Para aqueles que têm um estômago mais fraco, a parte em que o Viago ataca uma vítima, mordendo-a no pescoço e atingindo a sua artéria, pode ser um pouco difícil de digerir, mas nada de chocante.



O filme passa-se como se fosse um documentário, de 1h30 min, que segue a vida de 4 vampiros. Vladislav, Viago, Deacon e Petyr. A escolha em tornar este filme um falso documentário – mockumentary como chamam os de língua inglesa – assenta na perfeição, até considerando o baixo orçamento do filme. Aliás, por esse motivo, não esperem os melhores efeitos especiais. O cenário é básico, nada de extravagante e, em alguns casos, percebe-se claramente que é falso, como a “pedra” do caixão do Petyr. De qualquer forma, estes aspetos técnicos, que penalizariam um filme com um orçamento de milhões, acabam por passar ao lado. A história começa com Viago a convocar uma reunião dos habitantes da casa e, logo nessas primeiras cenas, ri-me. As piadas, raras exceções, não são forçadas e, apesar de simples, cumprem o seu propósito: fazer rir. Por norma, eu não sou um grande fã de filmes de comédia, principalmente os mais comuns, porque são, na verdade, isso mesmo: comuns. Porém, aqui senti o oposto: por vários momentos quis levantar-me e ir para o meu quarto, mas tinha sempre aquele sentimento de “agora quero ver como acaba”, algo que não é comum num filme típico de comédia, pelo menos, em mim. É um filme que trabalha bem com o orçamento que tem e mostra um lado curioso dos seres da noite: sim, porque o filme não aborda só vampiros, também aborda lobisomens e zombies, como poderão ver mais para a frente. Merece, na minha opinião, ser visto, são cerca de 90 minutos bem passados. Pena é que tenha passado ao lado do público em geral (falta de meios para o publicitar…).


por Alex Duarte