Inscreve-te e tem vantagens!

Come to Daddy(2020)

Há um mês | Comédia, Horror, Thriller, | 1h33min

de Ant Timpson, com Elijah Wood, Stephen McHattie, Madeleine Sami, Martin Donovan e Michael Smiley


m filme que começa com uma citação de William Shakespeare seguida de outra de Beyoncé está destinado a ser uma comédia de terror revelatória ou uma desilusão à grande. Ser um intermédio quase que seria um desapontamento automático. Ora, estreando nos primeiros meses do ano, Come to Daddy não demora a provar que não é exceção ao histórico desanimador. Realizado pelo estreante Ant Timpson, este é um daqueles thrillers que comete o pecado mortal de ser o exato oposto àquilo que propõe por natureza: Criar suspense.

Norval (Elijah Wood) é um homem de trinta e cinco anos que vive com a sua mãe em Los Angeles e persegue uma carreira de DJ que aparenta não ser bem-sucedida. Depois de receber uma carta do seu pai distante e alcoólico (Stephen McHattie) a pedir-lhe que o visitasse na sua casa remota em Oregon, Norval não hesita em fazer a mala. Quando o pai lhe abre a porta, as expetativas de explicações e concórdia dão lugar a tensões e desconfortos que escalam fora de controlo.

A ideia da história foi originada pelo realizador e o argumentista Toby Harvard deu-lhe um corpo. Um corpo desnutrido e ensanguentado, sem muito tino ou coisa que o valha. Começa por ser irritantemente previsível, até um momento chave, a la The Visit (2015), do engenheiro das reviravoltas M. Night Shyamalan. E por instantes este corpo morto de filme ameaça ter um coração a bombear. Era engano. Desse ponto em diante cada cena é mais ridícula do que a anterior, desde o diálogo sofrível das personagens até às decisões idióticas das mesmas.

Elijah Wood tolera-se. Principalmente se ultrapassarmos os olhos quase sempre arregalados, o bigode caricato e o penteado estilo tigela que compõe a sua figura hipster. O filme promove vários momentos para o ator desembrulhar as suas habilidades, mas a narrativa insiste em frustrar. Aposta no choque fácil e piadas escatológicas, o que não seria problemático se A) Houvesse um impacto sentido, seja para o riso ou para o nojo e B) Se o enredo não fosse tão abrupto e mal construído em sequências importantes.

A psicologia das personagens e as motivações nucleares do filme são meros extras numa história que não sabe usar com eficiência as peças de xadrez que dispõe. Pode resumir-se como um thriller que não exalta, uma comédia que não faz rir e um terror que não assombra. Não é muito longo, é verdade, mas a certo ponto é de desejar que cada cena seja a última. Dada a paupérrima matéria-prima com que trabalhou, sinto-me reticente em saltar em cima de Ant Timpson. A experiência pode muito bem ser uma dádiva, é ver o que faz depois.


Bernardo Freire
Outros críticos:
Nenhum autor votou nesta crítica.