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Call Me By Your Name(2017)

Há 2 anos | Drama, Romance | 2h12min

de Luca Guadagnino, com Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg, Amira Casar e Esther Garrel


Aclamado como um dos melhores filmes de 2017, Call Me By Your Name está nomeado em quatro categorias dos Oscars: Melhor Filme, Melhor Ator Principal (Timothée Chalamet), Melhor Argumento Adaptado e Melhor Canção Original (Mystery of Love de Sufjan Stevens). Realizado por Luca Guadagnino, conhecido pelo filme A Bigger Splash (2015), e escrito por James Ivory através da adaptação da obra homónima de André Aciman.

Estamos nos anos ’80, numa vila no Norte da Itália e o verão começou. Todos os anos o Sr. Perlman (Michael Stuhlbarg), convida um estudante para passar o verão na sua casa, com a sua família, para o ajudar com pesquisas na área da Arqueologia. 


Neste ano em particular, o visitante é Oliver (Armie Hammer), um charmoso americano com um ar pretensioso, que durante a sua estadia vai ocupar o quarto de Elio (Timothée Chalamet), filho de Perlman. Elio é um adolescente precoce, muito cheio de si mesmo e com uma cultura vasta: lê livros para se entreter, é fluente em várias línguas e toca peças de Bach ao piano.

O que acontece de seguida é o que está a dar que falar. O centro da narrativa é a relação e a crescente ligação entre Elio e Oliver. E devo dizer-vos, é realmente especial. Sim, é uma  história de amor entre dois homens mas o filme não é necessariamente focado na homossexualidade, mais do que isso, é uma história sobre descobrir a sexualidade, experimentar, sentir e crescer emocionalmente.

Em todos os momentos, nada está a acontecer e tudo está a acontecer ao mesmo tempo: Elio e Oliver trocam olhares no corredor da casa, casualmente notam quando o outro está a vestir-se. Tudo é feito com subtileza, tudo é extremamente controlado e tratado com cuidado. Timothée Chalamet e Armie Hammer têm uma química que faz valer o filme. As suas performances emanam ternura e a intimidade que têm é palpável.

Call me by your name and I’ll call you by mine.

O que diferencia este filme de outros com uma temática LGBT, é que o foco e/ou conflito principal deste tipo de filmes é geralmente um obstáculo à homossexualidade em si, seja ele um pai que não aceita o que o seu filho é, seja uma luta interior do personagem sobre o que está a sentir. Em Call Me By Your Name isso não acontece. Aqui o vilão é o tempo, e isso não é exclusivo a relações homossexuais. Quem nunca teve um amor de verão com prazo de validade? Quem nunca sentiu a dor de um coração partido?

A atmosfera do filme transborda sensualidade e captura perfeitamente o sentimento do verão, pois prolonga-se até ao aborrecimento. Simultaneamente, sentimos o tempo a apertar e a possibilidade de oportunidades perdidas. Um verão que nunca termina, mas quando chega ao fim, só queremos que volte atrás.



O filme tem um ritmo propositadamente lento. Planos extremamente longos e em certos momentos parece que nada acontece na história, o que pode chatear alguns. A forma como a história está contada não segue as regras base de escrita de um guião, o que a faz parecer ainda mais real, mais parecido com o que acontece realmente nas nossas vidas.

O plano final, onde curiosamente passam os créditos do filme, é único e certamente vai ficar para a história. Timothée Chalamet é brilhante, não sei como conseguiu fazer o que fez mas convenceu-me – e bem - na emoção que estava a transmitir.

Call Me By Your Name é um filme extremamente romântico, com uma realização sublime, muito bem interpretado e com uma excelente banda sonora. Não se pode pedir mais.


Sara Ló
Outros críticos:
 Bernardo Freire:   9
 André Azevedo:   9
 Rafaela Teixeira:   7
 Rafael Félix:   8
 Pedro Quintão:   10
 Alexandre Costa:   7
 Margarida Nabais:   9
 Filipe Lourenço:   8
 Raquel Lopes:   8