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21 Bridges(2019)

Há 4 meses | Ação, Crime, Drama, | 1h39min

De Brian Kirk com Chadwick Boseman, J. K. Simmons, Taylor Kitsch, Sienna Miller, Stephan James, Louis Cancelmi


Ao começar a ver 21 Bridges pensei, durante algum tempo, que seria mais um policial com o agente invencível, o protagonista, que dá a volta a tudo. Na verdade, por um lado é, porém, por outro não é só isso. O filme, com a realização de Brian Kirk, tenta ser mais do que um simples policial, pondo em causa princípios e tendo uma reviravolta da narrativa que mesmo não estando longe de ser um pouco previsível, a organização da mesma acaba por tentar afastar-se disso, criando um clima aceitável de suspense e ação. O filme conta ainda com os Russo Brothers e o conhecido Chadwick Boseman, o próprio protagonista, que também esteve no papel principal de Black Panther (2018), no qual trabalhou também os produtores que o juntaram neste projeto.

Andre Davis (Chadwick Boseman) é um agente bem-sucedido no Departamento de Polícia de Nova York, tal como o seu falecido pai, e é destacado para um caso desafiante e que lhe traz memórias passadas. Andre acaba por ser chamado para esta tarefa devido à sua fama de matar assassinos de polícias.

 

Certa noite, dois homens, Michael Trujillo (Stephan James) e Ray Jackson (Taylor Kitsch), invadem uma casa de vinhos para roubar vários quilos de cocaína. O assalto não corre como esperavam e acabam por participar num tiroteio, entre eles e a Polícia, matando vários oficiais. Andre é assim desafiado a encontrar estes homens numa noite, decidindo fechar uma ilha inteira, Manhattan, com certezas de que os criminosos teriam fugido para ali por diversos motivos. O protagonista persegue os homens toda a noite com os restantes polícias, porém alguns acontecimentos vão denunciando algo de estranho.

 

A narrativa desta obra não é propriamente complexa e forte. Inicia-se com uma explicação do passado do protagonista para situar o público no presente e fazer com que se consiga associar as suas crenças e princípios, no entanto, acaba depois por ir mais direito ao assunto, com o desenrolar da história. Este último facto não é mau, porque mesmo que as coisas se desenvolvam um pouco mais rápido não cessa o suspense e não torna o filme demasiado massivo.

A certo ponto, 21 bridges pode deixar o espetador confuso. No início não está à espera da reviravolta que a narrativa tem, o que se torna numa boa surpresa num filme que consegue fazer com que os indícios dessa reviravolta fiquem mais subentendidos, fazendo com que o espetador seja também um investigador e que vá montando um puzzle de diversas pistas que vão sendo dadas. Por outro lado, pode-nos confundir também quanto ao lado que tomamos ou ao nível de empatia que conseguimos sentir por um dos criminosos, Ray, que desde o início mostra que não é um criminoso qualquer, e que sabe que algo está mal no seu caso.

Esta obra acaba por ter o seu lado crítico sobre a corrupção, a ilegalidade, vendo-se confrontada por valores colocados em causa, e criticando a busca da felicidade através do dinheiro, porém o dinheiro não pode comprar tudo. Por outro lado, se pegarmos na personagem principal, conhecida como o matador de assassinos de polícias, podemos nos aperceber de que provavelmente Andre só matará tais criminosos por necessidade de defesa, mostrando outra face da sua fama.

O elenco acaba por ser bom em geral, tendo Chadwick Boseman como um protagonista, J. K. Simmons que dá vida a J. Jonah Jameson, o chefe responsável do jornal Clarim da trilogia de Spider-Man (2002-2007) e Taylor Kitsch, o famoso protagonista de John Carter (2012) da Disney. É ainda importante referir que Sienna Miller tem uma boa prestação, mantendo o mistério da sua personagem, a atriz que conta com uma nomeação para um Globo de Ouro devido a um telefilme que fizera britânico The Girl.

A imagem da obra é de grande qualidade e apresenta-se sempre em tons mais escuros. As cidades de Nova Iorque e Manhattan são filmadas várias vezes de cima e, de dia, podemos notar que no início do filme a cidade parece estar poluída, com uma imagem de menor qualidade, com uma espécie de fumo ou nevoeiro, o que pode representar a corrupção que paira sobre a metrópole. No final do filme, toda essa poluição suaviza, podendo ser sinal de que a cidade se purificou um pouco. Como? Terão de ver o filme e descobrir, o mistério mantém-se.

Queria ainda acrescentar que, 21 Bridges acaba por ser um pouco agressivo, tendo uma grande percentagem de violência, acompanhado por um grande ênfase dado ao som do disparar de armas e uma grande quantidade de mortes.

21 Bridges está longe de ser um policial brilhante, mas apresenta uma organização inteligente. 


Rafaela Boita
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