100% um filme teenager que desvia todo o conceito de cliché que esse género acarreta e que faz com que o espetador não perca o interesse.

100% um filme teenager que desvia todo o conceito de cliché que esse género acarreta e que faz com que o espetador não perca o interesse.

1986
Comédia
de John Hughes, com Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones e Jennifer Grey


Depois do seu grande êxito The Breakfast Club (1985), o realizador John Hughes traz-nos, dentro da mesma categoria de teen movie, Ferry Bueller’s Day Off (1986).

Ferris Bueller (Matthew Broderick), um adolescente irreverente, decide que precisa de mais uma folga da vida escolar. Para isso, conta com o seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck) e a sua namorada Sloane (Mia Sara) com quem partilha este dia. Paralelamente, acompanhamos a evolução de todos aqueles que pretendem apanhar Ferris Bueller em flagrante. Tanto pela sua irmã Jeannie Butler (Jennifer Grey) que simplesmente quer que ele seja apanhado pelos pais a mentir, como o diretor da escola, Ed Rooney (Jeffrey Jones). Pelo status de cool que Ferris tem, Ed considera Ferris um mau exemplo para os outros estudantes.

100% um filme teenager que desvia todo o conceito de cliché que esse género acarreta e que faz com que o espetador não perca o interesse. Uma narrativa suportada pela comédia, mas que em certos momentos aborda assuntos reais da vida de qualquer adolescente. Desprovido de qualquer romance exagerado, ou revoltas de jovens incompreendidos, este filme baseia-se muito na espontaneidade da juventude e das várias maneiras encontradas para se desviarem do “sistema” montado pela faixa etária mais adulta. Um bocado impensáveis, mas que não deixam de fazer sentido no filme.

Relevo a performance de Matthew Broderick como personagem principal. Trouxe uma certa simplicidade, mas também um atrevimento que foi muito bem contrabalançado na sua prestação. Facilmente criamos empatia com a sua personagem. Por norma, estes filmes tendem a exagerar no que toca à personagem rebelde ou controversa. O que, neste filme, não se verificou. Em contrapartida, não me agradou a prestação de Jennifer Grey como Jeannie. Uma personagem que teve o devido foco, mas pouco ou nada pudemos tecer sobre a sua personalidade para além de frustração.

O realizador conseguiu captar a essência de certos pormenores, para enquadrar as suas personagens no ambiente em questão, conseguindo realçar o diálogo quase direto que a personagem principal tem para com a câmara, dando a sensação de que nós espetadores estamos presentes no decorrer da cena. E com a imagem, veio a banda sonora que de certa forma se encontrou apropriada, mas que, poderia ter estado presente em mais alguns momentos.

Em termos comparativos com outros filmes da mesma categoria, este não tem muitos momentos marcantes, ou cenas que nos deixem com a sensação de que já vimos aquilo a acontecer noutro lado por tão recorrente ser a história. Entendemos as motivações para o desenrolar da narrativa, acompanhamos o pensamento e a ambição dos jovens para concretizarem os seus planos, e mesmo assim serem responsáveis pelas ações que tomam. Quase como se fosse uma aproximação à realidade.

Ferries Bueller’s Day Off é um filme extremamente agradável para se ver quando estamos com vontade de ver um bom filme, mas que não seja pesado ou que tenha um plot super inteligente e que exija todas as células do nosso cérebro. 


por Raquel Lopes